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quatro quartos

livros para abrir e partilhar. como uma laranja

quatro quartos

livros para abrir e partilhar. como uma laranja

Não há livro como o primeiro. E agora, é a vossa vez

Setembro 27, 2021

Os livros que apresentámos neste blog, em Maio, são o resultado dum curso que fizemos em 2020-2021 na Oficina do Cego. Este ano, a equipa da Oficina volta com mais uma edição do curso. É uma oportunidade única, que recomendamos a todos os que tenham uma ideia para fazer um livro, ou qualquer outro formato (revista, postais...) que envolva papel, tinta e gosto pela edição independente e pelas artes gráficas. E não, não é preciso ser designer e muito menos saber desenhar. Basta terem uma ideia – e inscreverem-se. Não deixem as vossas coisas bonitas por fazer.

Os cartazes do 8º Curso de Auto-Edição (o nosso) e do 9º, que tem inscrições abertas até 11 de outubro de 2021.

Resolvemos aproveitar estes dias em que as candidaturas ainda estão abertas para contar um pouco como foi fazer este curso. Talvez assim consigamos dar um empurrão aos que andam a remoer uma ideia, mas ainda hesitam.

Cada uma de nós teve uma experiência diferente, claro – tinhamos projectos muito distintos, actividades profissionais e percursos pessoais também diversos. E à medida que o tempo passava, as ideias que levámos de início iam-se transformando.

 

Não foi apenas um processo de maturação de ideias: em alguns casos, foi quase o inverso, foi um processo de voltar ao princípio, de pura alegria infantil de descoberta, de entusiasmo ao percebermos tudo o que era possível fazer com estas técnicas.

Aprendíamos a usar a prensa tipográfica, e de repente só queríamos brincar com os diferentes tipos – as letras de várias famílias e tamanhos, os carimbos, os espaços em branco e a textura muito particular que o impacto do caractere de chumbo deixa no papel. 

Aprendíamos a imprimir em serigrafia, e aquela tinta brilhante e espessa (como iogurte grego, pensei a certa altura), as cores, até os ajustes pacientes, as folhas que entravam brancas e saíam com os nossos desenhos, as nossas letras, ou rabiscos, davam-nos novas ideias.

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As sessões de fotografia com métodos alternativos, que fizemos na Tira-Olhos, foram um deslumbramento. Algumas de nós já tinham feito impressão em cianotipia, mas creio que a antotipia e as viragens foram novidade total. Trabalho de luz e de tempo, literalmente, à espera de que o sol fizesse a sua magia pela tarde fora nas nossas folhas de papel e tecidos.

As sessões de pop-up (a técnica de dobrar papel para fazer objectos que se abrem em três dimensões, não a publicidade irritante!) foram provavelmente as que mais puxaram pela tal alegria infantil de que falava. Não só perceber os truques que permitem fazer aqueles recortes e formas, mas também abrir livros e trabalhos incríveis baseados nesta técnica.

E houve ainda a gravura, a encadernação e os vários acabamentos. As máquinas, as ferramentas, os gestos novos, algumas palavras que agora sabíamos o que queriam dizer. Fazer coisas, sujar as mãos, lavar as mãos para não sujar o papel. Repetir.

 

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De cada vez que abriamos o pote da tinta para tipografia, tinhamos este mapa topográfico reluzente...

 

E depois veio o covid. Quando já estávamos embaladas, e até já sabíamos fazer lindas capas forradas a papel e tecido e com lombadas cosidas a rigor, eis que o bicho apareceu. As sessões na Oficina tiveram de ser canceladas. Ficámos um pouco orfãs, com muitas ideias já rabiscadas, tamanhos pensados, papéis e outros materiais apalpados, escolhidos e encomendados. E agora?

O agora foi, também ele, diferente para cada uma de nós. De Lisboa até à Beira interior, cada qual seguiu com o passo possível, no chão que tinha ao dispor. Em alguns casos, as circunstâncias acabaram por mudar a própria ideia para o livro.

E quando voltámos estávamos com outra genica: a da urgência, a de saber que a qualquer momento podiamos ter, de novo, de interromper. O que, aliás, aconteceu. 

 

Mas os livros fizeram-se, com as nossas ideias e as nossas mãos, e as do pessoal da oficina, que se esmerou para que cada "e se eu fizesse antes...?" que nos ocorria, e cada mudança de ideias, cada "afinal não vai dar" se transformassem numa coisa boa.

No dia depois do lançamento dos livros – também ele andou aos trambolhões por causa do covid – lembro-me de uma de nós ter perguntado às outras se ainda estavam a ressacar de felicidade. Foi muito isso. E é disso, e das pessoas que estiveram connosco nesse dia, que nos lembramos quando, agora, pegamos nos nossos livros.

E já temos mais ideias.

Se quiserem saber mais sobre a Oficina do Cego, visitem o site.

 

Fim de semana: todos à Feira Gráfica, em Lisboa

Julho 07, 2021

ATUALIZAÇÃO A 8 DE JULHO: infelizmente, devido ao covid a Feira Gráfica foi adiada. O convite mantém-se para as novas datas, assim que elas forem divulgadas. Bom fim de semana!

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No próximo fim de semana, 10 e 11 de Julho, vamos estar na Feira Gráfica, no jardim do Museu de Lisboa (Campo Grande). Nós e mais algumas dezenas de associações, artistas e pequenas editoras independentes com muitas coisas boas para mostrar. Há também workshops para crianças - podem ver o programa na página de Facebook da feira.

Apareçam! A feira está aberta das 11h00 às 19h00, a entrada é livre e o jardim tem pavões. Que mais se pode querer?

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Quatro livros, uma festa no Museu do Chiado

Junho 22, 2021

Houve nuvens grandes e céu azul,  muita gente amiga, bom vinho  – e nós as quatro, felizes, a apresentar os nossos livros. Obrigada a todos os que apareceram, e em especial ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, que nos recebeu no Jardim de Esculturas! 

Quem não pôde ir fica desde já convidado para a Feira Gráfica, a 10 e 11 de Julho, em Lisboa. Vamos estar por lá, com muitas outras pessoas da área da edição independente e das artes gráficas. 

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Lançamento dos livros Quatro Quartos: dia 19 de junho (sábado), 16h00, no Museu do Chiado, Lisboa

Junho 09, 2021

No sábado, dia 19 de Junho, vamos estar no Jardim de Esculturas do Museu do Chiado, em Lisboa, para apresentar os nossos livros e falar convosco. Façam-se convidados!

Aproveitem para uma visita ao museu, que tem uma colecção incrível e teve a simpatia de nos deixar usar este espaço, e para conhecer o pessoal da Oficina do Cego, que nos ensinou e acompanhou (isto é, aturou) na criação dos livros. 

Vemo-nos por lá.

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“Que inferno ter braços e ninguém a quem os estender” | Diane Gazeau

Maio 26, 2021

A obra Que inferno ter braços e ninguém a quem os estender é a compilação de 3 volumes, fruto duma reflexão muito pessoal sobre o primeiro estado de emergência em 2020.

 

 

Os materiais usados são os que existiam na casa onde Diane Gazeau se viu confinada. Reciclar até a exaustão.

Elegeu o papel vegetal como representação da fragilidade do ser, da fragilidade do momento.

A cianotipia foi a solução encontrada para expressar o olhar atento em redor, seguindo o ritmo da natureza.

Abraçou a natureza, dia após dia, colhendo aqui e acolá, ramos formando bouquets.

Dançou com a sua sombra sobre o papel.

Procurou os afectos no meio duma total solidão.

Quis partilhar, escrever, comunicar.

25 postais compõem o primeiro volume.

No 25º dia de quarenta, o carteiro trouxe uma carta. 

Reproduzida em hectografia, o segundo volume apresenta-a sobre forma de origami.

O último volume é uma pop-up. 

Página solta dum livro. O mundo à janela, a viagem, a redenção.

 

As técnicas usadas são: serigrafia, cianotipia, hectografia, livros, pop-up (découpage), tipografia.
 

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"Joanafaz" | Maria Taborda

Maio 17, 2021

Joanafaz é um livro e Joanafaz é um lugar. Os lugares onde crescemos desaparecem das nossas vidas de várias formas. A Maria Taborda juntou neste livro textos e ilustrações feitos durante o confinamento de 2020, algumas semanas que lhe deram tempo para estar no lugar onde nasceu.

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A Maria explica como se faz:

Um livro da memória
O João Não Faz. O João Nã Faz. A Joana Faz.
Sobre esse lugar lá longe.
As imagens são cianotipias. A luz revelou-as no papel, mais uns químicos e roubei-lhes o azul.
Delvolvi-lhes a cor com a ajuda das árvores. Fiz viragens com os pigmentos naturais dos capacetes das bolotas da azinheira, com as folhas do alecrim, com o caroço do abacate, as cascas da romã e o fruto da rosa canina.
O meu pai chamou-me bruxa.
Era suposto guardarem o cheiro do campo. Talvez o consigam imaginar.
Por fim usei serigrafia para imprimir alguns pensamentos esvoaçantes.

Maria Taborda

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"peito cintura anca" | Ana Gomes

Maio 11, 2021

Peito cintura anca é um pequeno catálogo de mulheres. São gordas, magras, neste sentido e no outro; algumas ainda estão vivas, outras foram mães ainda há pouco, outras já morreram. Todas elas viviam na mesma aldeia e eram clientes da mesma costureira, Luísa Joaquina da Conceição. 

A Ana Gomes, neta da 'Ti Luísa', herdou a 'Agenda Condor' (um clássico de há algumas décadas) onde a avó registava as medidas dessas mulheres. A partir delas, tentou reconstituir o corpo das mulheres. 

O livro foi feito no Curso de Auto-Edição da Oficina do Cego de 2020-2021. As formas das mulheres são um baixo-relevo, feito com prensa tipográfica, por artes e magias inventadas pelo João Sebastian, vulgo Papeleiro Doido. Foi preciso dar muito à perna.

Técnicas: tipografia, serigrafia, linogravura.

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